Panorama Pantin 2020 | Festival Panorama Pantin 2020 invade a França através das ondas da Rádio RIF

Festival Panorama Pantin 2020 invade a França através das ondas da Rádio RIF

Festival Panorama Pantin 2020 invade a França através das ondas da Rádio RIF

Os artistas Luiz de Abreu, Frederico Paredes e Wellington Gadelha foram ao estúdio em Paris para falar de seus espetáculos, durante o evento que aconteceu no Centre National de la danse (CN D)

A efusiva e importante passagem do Festival Panorama Pantin 2020, no mês de março, eclodiu nas ondas da rádio francesa RFI, onde artistas e performers levados à Paris pela curadoria do evento, puderam apresentar suas propostas de trabalho ao público europeu, antes das apresentações no Centre National de la danse (CN D), anfitrião do festival este ano. A rádio RFI recebeu com entusiasmo os artistas no estúdio de alta tecnologia de transmissão. As conversas calorosas deram espaço para diálogos que ressaltaram a resistência política da arte, através da dança, que tem sido um movimento sustentado pelos próprios artistas na luta diária de continuar focando suas pesquisas no movimento, e usando o corpo como instrumento de luta.  

Um dos destaques da programação da Rádio RFI foi o coreógrafo e bailarino Luiz de Abreu, que apresentou na França um trabalho de transmissão com o também bailarino Calixto Neto. O solo “Samba do Crioulo Doido”, espetáculo que desconstrói clichês que objetificam o corpo do homem negro. A brilhante entrevista foi guiada pela jornalista Mácia Bechara, que enfatizou durante a conversa a importância do solo criado por Luiz em 2003, e que é atual e urgente: “Em 2004, vivíamos o começo de uma abertura democrática. A gente estava recriando essa nação. Mulheres, gays, negros com seu poder de fala. Essa bandeira era nosso orgulho porque, além de ser um símbolo da pátria, ela representava a nossa nação, o nosso pertencimento”, avalia o artista. “Hoje, essa bandeira foi sequestrada. Um grupo de pessoas decidiu que essa bandeira era só deles”, ironiza Luiz. A entrevista na íntegra pode ser lida, ouvida e vista através do link https://www.rfi.fr/br/cultura/20200310-rfi-convida-luiz-de-abreu

Também esteve pelos estúdios da RFI o coreógrafo brasileiro Frederico Paredes, que apresentou na França a performance “Intervalo”, que é uma metáfora do colonialismo cultural por meio da implantação de pássaros franceses no Brasil. O espetáculo também fez parte da programação do festival carioca Panorama, que este ano foi transferido para a região parisiense por questões políticas urgentes. A entrevista foi guiada pelo jornalista Silvano Mendes, nos estúdios da rádio: “Hoje a gente está vivendo no Brasil uma situação muito difícil. Eu trabalho como artista e como professor (na Faculdade Angel Vianna), e são dois campos que estão sendo atingidos de toda maneira. A educação e a cultura no Brasil estão numa situação acuada”, desabafa Frederico. A entrevista de como o coreógrafo também pode ser lida, ouvida e vista pelo link https://www.rfi.fr/br/brasil/20200312-rfi-convida-frederico-paredes 

Além de Luiz e Frederico, os estúdios da RFI receberam com muito carinho o performer, artista visual e sonoro, coreógrafo e militante Wellington Gadelha. O artista foca seu trabalho no corpo do homem negro, exposto a diferentes tipos de violências cotidianas e à segregação. “Não é um trabalho cênico em si, porque eu não consigo diferenciar muito a minha vida do que eu faço no palco. Eu danço a minha própria vida”, afirmou Gadelha, que foi entrevistado pela jornalista Maria Emilia Alencar. Durante o papo com Gadelha, houve desdobramentos onde o artista diz que apresentar esse espetáculo na Europa teve para ele um significado importante, já que a história do negro escravizado serve de inspiração para a performance. 

“A gente trata da descolonização, sobretudo no campo das artes cênicas. Isso é uma questão importante para a gente, de dançar e propor um espetáculo contemporâneo que fale do meu corpo, periférico, urbano e negro”, diz. “Nós estamos muito acostumados com esse viés de pensar a dança ou a arte contemporânea colonial, mas a proposta do ‘Gente de Lá’ é descolonizar esse campo cênico e artístico, afrontando com esse conceito de corpo-roleta russa que utilizamos”, completa. A entrevista está na íntegra em texto, vídeo e áudio pelo link https://www.rfi.fr/br/brasil/20200310-rfi-convida-wellington-gadelha 

A Rádio França Internacional (em francês Radio France Internationale), também conhecida como RFI, é uma rádio pública francesa de emissão ao estrangeiro. Sua atual estrutura data de 1975. Seus programas são transmitidos em dezoito idiomas. RFI mantém três sinais a nível mundial e filiais próprias em vários países. Em 1996 inaugurou o site na internet. Calcula-se que suas emissões chegam a uma audiência de quarenta e quatro milhões de pessoas.

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