Ministério da Cultura e Petrobras apresentam

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© Passages Transfestival-Metz 2023 –
Photo Raoul Gilibert

Toi, Moi, Tituba…

Dorothée Munyaneza (Ruanda / França)

O Festival Panorama está de volta em 2025, ano marcado pela Temporada Brasil–França, que celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países. A programação atravessa setembro, outubro e novembro, começando com apresentações internacionais e seguindo para uma edição inédita no Rio de Janeiro. Reafirmando-se como uma das principais plataformA partir do encontro com o texto Me, You, Us… de Elsa Dorlin, inspirado no romance Eu, Tituba: bruxa negra de Salem, de Maryse Condé, ‘I, Tituba’ and the Ontology of the Trace de Maryse Condé , esta criação coreográfica de Dorothée Munyaneza investiga as marcas deixadas pelo colonialismo, pela escravidão e pelo apagamento histórico. Inspirada por uma personagem marginalizada, silenciada pelos registros oficiais, a peça propõe uma escuta sensível das presenças ausentes — aquelas cuja existência foi negada, ignorada ou esquecida. A dança torna-se meio de evocação, resistência e filiação: corpo que convoca memórias, que fala com os vivos, com os mortos e com os que ainda virão.

No palco, a artista constrói um solo coletivo: um corpo-arquivo em trânsito por espaços híbridos — africanos, caribenhos, europeus, americanos — onde traços, vozes e fantasmas se cruzam. Como fazer ressoar os sonhos, as vidas e os silêncios daqueles que foram apagados pela violência colonial? Como tornar visíveis histórias para as quais não restaram documentos, apenas lacunas nos arquivos? A luz revela tanto presenças quanto ausências, abrindo espaço para o que foi calado. A obra inscreve nas páginas em branco da história os gestos e as vozes esquecidas. Trata-se de dançar o que a história tentou apagar — e, com o corpo em pé, afirmar a permanência da memória.
as de dança contemporânea do Brasil, o Panorama segue conectando artistas, territórios e públicos, ampliando diálogos e promovendo a circulação da dança brasileira no mundo.

Serviço

10 e 11 OUT | 19h

Classificação indicativa: 12 anos
Entrada gratuita

SOBRE O ARTISTA

Artista multidisciplinar de Ruanda, Munyaneza utiliza música, canto, texto e movimento para explorar a ruptura como força dinâmica. Inspirada por sua trajetória pessoal — da família extensa em Ruanda aos 14 anos em Londres, passando por Paris e Marselha —, ela cria performances que conectam corpo, memória e presente. Formada na Jonas Foundation em Londres e em música e ciências sociais em Canterbury, iniciou colaborações com François Verret e outros artistas internacionais. Em 2013, fundou a Compagnie Kadidi em Marselha, com repertório incluindo Samedi Détente (2014), Unwanted (2017), Mailles (2020), a capella (2022), Toi, moi, Tituba… (2023) e umuko (2024). Traduziu e encenou Hopelessly Devoted de Kae Tempest como Inconditionnelles (2024). Foi artista associada ao Théâtre de la Ville – Paris (2018–2021) e atualmente integra o Théâtre National de Chaillot, a Maison de la Danse e a Biennale de la Danse de Lyon. Laureada com o Prêmio Europeu de Dança SALAVISA (2024).

FICHA TÉCNICA

Direção artística e performance: Dorothée Munyaneza

Composição musical: Khyam Allami, Dorothée Munyaneza

Figurinos: Stéphanie Coudert

A partir do texto de Elsa Dorlin

Luz: Marine Le Vey

Light management: Anna Geneste

Sonoplastia: Camille Frachet

Produção: Cie Kadidi / Virginie Dupray

Coprodução: Tanz im August – HAU Hebbel am Ufer Berlim / Chaillot – Théâtre National de la Danse / Maison de la Danse Lyon – Pôle Européen de création / DeSingel Anvers / Pavillon ADC Genebra / TransFabrik Fund – fundo franco-alemão para as artes cênicas

Residências de criação: CCN – Ballet National de Marseille, Friche Belle de mai Marseille, Centre d’art Montévidéo Marseille, DeSingel Antwerp

Com o apoio da Fondation Camargo, Cassis / DRAC Provence-Alpes-Côte d’Azur / Montévidéo Art Centre – festival Actoral Marseille

Dorothée Munyaneza é artista associada ao Chaillot – Théâtre National de la Danse, à Maison de la Danse e à Biennale de la danse de Lyon – Pôle Européen de criação.

Duração: 55 min

Classificação indicativa: 12 anos